Calma, Beth, Calma!

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Um chamado à consciência.

Certa euforia paira nervosa, nos ares do nosso país, que nunca mais será o mesmo de outrora.

Creio que o Brasil, nosso povo, e o sítio de nosso Estado, sejam objetos duma revolução moral que se opera em todo o planeta.

Em quase todo canto, há discussão acalorada, acesa pelo julgamento e condenação de Lula.

Uns malham o criminoso como fossem realmente santos. Outros defendem-no como fora ele, Lula, a divindade encarnada.

“Calma, Beth, calma! ”

Estou convencido de que todos estão certos, e também estão todos errados.

Todos.

Algumas coisas são sumariamente ignoradas e que podem justificar grande parte dessa grita, que se assemelha demais com conversa sobre paixões:

  • Ninguém que pise a Terra hoje tem capacidade da percepção plena de absolutamente nada; em outras palavras: por mais que uma pessoa tenha informações privilegiadas, conhecimento e experiência muita, seu campo de visão, seja lá do que for, sempre será limitado, circunscrito aos aspectos do contexto em que aquele observador está inserido;
  • Quem concorda com o item ‘a’ não poderá discordar do fato de que “todos estão certos e todos estão errados”;
  • Absolutamente nada podemos fazer para mudar ou corrigir defeito alheio;
  • A mudança efetiva numa coletividade, opera-se a partir de cada indivíduo, de dentro para fora. Fruto da conscientização, jamais da coerção.

Pontuados os fatos acima, fica mais fácil entender, sem necessidade de discussão ou briga, que está dentro de cada um de nós a solução que dê um fim às aberrações de conduta da nossa sociedade.

Quando falamos “nossa sociedade” leiam-se, por gentileza, “o povo todo e eu”. Não são (a sociedade) um ente externo do qual você e eu não fazemos parte. Quando apontamos o dedo no nariz “desse povo”, é no nosso nariz que tocamos o dedo, oras…

Outros fatos importantes, estranhos a muitos de nós, desconhecidos de muitos outros, e já familiares a uma leva de gente:

  • Só há o bem. O “mal” é um conceito que caracteriza, distingue e descreve onde o bem está ausente.
  • Só há amor. O antônimo de amor, ao contrário do que muitos pensam, é indiferença.

Se todas essas teorias pontuadas e descritas neste artigo se confirmarem pelo tempo, pela experiência e circunstâncias vindouras, restará verdadeiro o seguinte preceito:

Cada um de nós, sem exceção, traz consigo ao plano físico, ao mundo manifestado, um conjunto de talentos; ao menos uma vocação, que lhe permitam o êxito numa ou num conjunto de tarefas relevantes à humanidade.

Há quem leve a vida na flauta e se acomode na resistência do nada fazer; do não contribuir ou acrescentar; as pessoas que não somam nada, senão apenas consomem.

Há quem se atire, com ou sem medo, no desconhecido campo a lavrar, semeando o que trouxe consigo, e o que aprende e amealha pelo caminho.

Entre os extremos, há de tudo.

Agora chegamos ao ponto nevrálgico deste raciocínio.

Considerando tudo o que foi exposto acima, mesmo apenas como meras teorias a manter em reserva, a conclusão a que chego é:

Tanto indivíduos que deixam um legado relevante à humanidade, que transformam a Terra e a sociedade para melhor, quanto os que erram feio e bastante. Todos eles tinham uma missão para o bem.

Legados como os de Madre Tereza e Chico Xavier, são de relevância inegável, chegam a ser comoventes. Eles traziam em si, potencial para êxito em tarefas enormes. Esse potencial não lhes foram dados, assim, de mãos beijadas. Foi construído por cada um deles, como fruto de sua experiência vidão afora, desde que surgiram no universo como fagulha inteligente.

O legado de Neros, Hitlers e Lulas são inegavelmente relevantes, pelo volume e alcance nocivo e danoso de suas deliberações. Pausa para pensar.

O raro leitor que terá chegado até aqui neste extenso raciocínio, não se assuste, pois não vim defender pessoas que causam perdas e danos, dor e sofrimento. Longe de mim.

O convite que deixo depois de todo o exposto é o de que busquem dentro de si alguma coisa, que possam mudar para fazer a humanidade melhor.  Olhe para dentro de si e verão, total ou parcialmente, algo que cada um dos senhores e senhoras podem efetivamente mudar, transformar, depurar, trazer à tona melhor que está lá dentro, oculto.

Dedique sua energia à transformação de si próprio.

Dedique aos que caíram em suas lutas, que faliram nos seus propósitos, a tolerância de quem estende a mão ao irmão que lhe foi injusto, ingrato ou cruel; a caridade de quem se sabe imperfeito, igualmente merecedor da tolerância alheia.

Estou tentando.

Boa tarde de sábado a todos nós.

 

Uma Vida Que Vale a Pena Viver

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Hoje recebi uma visita cara, querida, cada vez mais rara.

Alexandre Ferro é um daqueles amigos-irmãos com quem vivi todo tipo de experiência, algumas hilárias, outras graves e profundas, amigos, descobrimo-nos irmãos.

Irmãos, desvendamos, cada qual na sua toada, em viveres já fisicamente distantes, e buscando a mesma luz, e nas vezes que nos encontramos, todo o tempo que há, sejam minutos, horas ou dias, não nos basta; falta ordem em tanta coisa a contar, falta ordem à tanto conteúdo. Só não falta alegria de celebrar pois… “Continuamos juntos”, lê-se nos olhos.

Conversas nas quais o tema é um rio, o caso o barco, palavras são remos, mas nós mergulhamos, fundo.., fundo. Numa flutuação de partilha, apneia de gente grande, dentro de si, trazendo pérolas, que oferecemos um ao outro.

Obrigado, meu Deus, por mais esse privilégio.

Numa vida intensa e rica, vive-se vidas diversas, o gato, com a sete dele, não sabe é de nada…

Alê me trouxe hoje, um fragmento do passado, tirado do túnel do tempo.

No ano 2000, ele e Paulinho, seu irmão, escreveram junto um livro que se propunha a atualizar os motoristas veteranos com as novas leis, e preparar os inscritos no exame teórico do DETRAN à aquisição da CNH.

Já era a 4ª, o novo código entrara em vigor em 1998.

“Trânsito Fácil”, uma cartilha que traduzia e linguagem coloquial e ilustrada, o novo código de trânsito.

Foi elaborada por Paulinho e Alexandre, que pesquisaram e traduziram o conteúdo, digitado, ilustrado e tabulado por Alê.

Paulinho era o comandante da velha máquina offset Multilith tamanho ¼, que os americanos descartaram depois de mais de 40 anos de labuta em solo norte americano, em solo paraguaio, como sucata, e que os hermanos paraguaios tiraram o que inda dava para tirar de impressões… Paulinho comprou a comprou no Paraguai, montou em casa, e rodávamos serviços gráficos ali, sabe Deus em (e nós!) que condições…

O livro era distribuído por nós, de bike, nas bancas de revista da cidade (3 exemplares por banca), eu tinha disposição, uma bike, e todo o tempo do mundo, mapeei todas as bancas da região central e adjacências, e fiz a distribuição em cada uma delas, Paulinho também distribuía.

A vida era bem dura e às vezes que faltava o trocado do lanche (‘saladão’ e uma ‘tuba’, na padoca da rua Paissandú), um de nós era encarregado de “rodar banca” para pegar uns trocos, repor os livros, e voltar à padoca. Às vezes dava até para o Paulinho virar os olhos deliciando-se com um pedação generoso de pudim, sem doce predileto…

A vida, sem ralo, deve ser bem sem graça!

Ê, vidão…

 

Feliz 2018

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Campo Grande, 31 de dezembro de 2017
 
Mais um ciclo cumprido no calendário solar.
 
É exatamente na metade do meu 48º ciclo que, como uma graça, uma bênção, recebo o privilégio de dirigir-lhes meus votos de gratidão e esperança.
 
Gratidão a cada um dos seres que me inspiraram a luta deste tão difícil período que cessa. Sem dúvida alguma, o mais duro pra mim, até aqui. Houve vários momentos que me vi prestes a desmontar. Sentar e chorar? Bah.. Várias vezes, como uma criança que se sente injustiçada, judiada por alguma outra criança bem mais forte, brava e meio doida…
 
Tenho plena consciência que muitos anjos velam nossa caminhada. Gente de carne e osso e gente de forma bem mais sutil. Os outros seres, verdes ou floridos, cheirosos ou gostosos; encarnados, peludos e amados, seres de luz e calor, todos que compõe conosco o pulso vivo na Terra, sob ela, e sobre ela.
 
Poder estar aqui e convosco, de braços dados e mentes unidas, pelo amor, é privilégio.
 
Por tudo isso, sou grato.
 
Hoje, vendo tudo que superei, os degraus se me apresentam ainda não superados, a consciência da dureza das provas, só me faz sentir orgulhosamente esperançoso.
 
Orgulho de quem recebe a prova, consciente de que somente os que tem potencial de êxito, as recebem. Esperançoso e ativo, me faço, amealhando incessantemente os meios e a humildade necessária a superá-las, de modo que a cada gol feito, eu grite, pra dentro, em prece.
 
Sinto-me feliz – bem-aventurado – pois acho que chego ao fim deste ciclo, um tico melhor do que entrei. Mais… amaciado!
Por tudo o que vivi, bem ou mal-e-porcamente, agradecer a 2017, penso, é mais importante que desejar seja lá o que for pra 2018.
 
Pois foi difícil, mas me fortaleceu… não foi dessa vez, um dia talvez, jogue sim a toalha. Por ora, uso pra secar o suor que abunda, as lágrimas que correm… de gratidão.
 
“O futuro a Deus pertence”.
 
Obrigado a todos vocês, por coexistirem o Planetinha no mesmo tempo que erro por aqui.
 
Obrigado…
 
Booorraaaaa!!!!
 
João Henrique, o Burro Velho, o jornalista, o Dogwalker… o seu amigo.