Mês: dezembro 2015

Força e Fé – Vem Aí 2016

Campo Grande, 31 de dezembro de 2015.

Força e Fé – Vem aí 2016!

2016 bate à porta do povo brasileiro, sofrido, apático, submisso e distraído, exigindo de cada vivente maltrapilho e analfabeto funcional, a sagacidade e perspicácia dos que receberam instrução da melhor qualidade das mãos de mestres apaixonados e talentosos.

Aprendi a reservar num canto tudo aquilo que outrora revoltava e indignava. Faço isso porque entendi revolta e indignação diante dos fatos e contextos que vida nos apresenta não tem origem na aberração ou na injustiça em foco. Mas na minha própria incapacidade de compreender a natureza e utilidade da coisa, de enxergar o contexto de forma plena e integral, o que nos impede de emitir com alguma segurança juízo que satisfaça nossa vaidosa necessidade de tudo saber e entender.

A fé inabalável somada à certeza da Justiça e da bondade Divinas, a noção clara de que apesar do ruído insuportável que o mau faz, a humanidade caminha no rumo certo; a consciência de que o bem trabalha discreta e silenciosamente, me dão todos os elementos necessários á manutenção da confiança no porvir.

Todos nós já aos três ou quatro anos de idade já sabemos que uma injeção dá uma picada é incomoda, que vacina na pistola (a de febre amarela) “não é coisa de Deus”, que o xarope é amargo e que óleo de fígado de bacalhau intragável. Tudo isso é importantíssimo na construção da fé e de uma postura reta e digna.

Há muito tempo criou o conceito de “sobrenaturalidade” (coisa fora dos limites da “natureza”) para enquadrar e, de nas coxas explicar, os fenômeno que não compreendia e o assustavam, justamente por não estar plena e integralmente dentro do seu “campo visual”, ou seja, do seu conhecimento adquirido e dominado.

Hoje, muita gente já entende que não há nada fora da natureza e que o conceito acima citado não passa de um recurso do tipo “me engana que eu gosto”.

Em outras palavras, não ha nada em lugar algum que não seja obra do Criador ou fruto da Criação.

Muitas vezes dedicamos tempo precioso em discussões e reflexões cuja finalidade é entender algo que definitivamente não está em nossa alçada. Sem dúvida é um exemplo de nossa falta de noção do que realmente temos de fazer.

Embotados pela vaidosa “sede de saber” e pela ganância de lidar com coisas grandes, essenciais, nos esquecemos que ainda somos covardes, brutos, injustos, vaidosos. Que temos um punhado de vícios rasteiros, condizentes com nossa estatura moral a espera de serem suprimidos e substituídos por uma virtude qualquer.

Essa argumentação é uma tentativa de mostrar que muita coisa que não compreendemos em determinado ponto da jornada, mesmo que nos pareça estranho, injusto e revoltante, mais tempo menos tempo passa a fazer sentido. Revela-se a função e aí percebemos que o que faltava era a visão integral da coisa. Trocando em miúdos, não é o fato incompreendido, mas a nossa angustia diante daquilo que ainda não temos substância, capacidade e estatura moral pra entender o que de fato nos revolta.

Tudo está nos trilhos, apesar da barulheira, da instabilidade e e das aberrações.

Está perto o dia em que as coisas serão mais claras. Em que o homem será mais pelo todo do que por si.

Está chagando o momento em que seremos contemplados com novas habitações pelo DPHU – Departamento de Planejamento Habitacional Universal.

A conduta e as resoluções de cada um de nós é que determinam a que tipo de moradia somos merecedores

Está quase chegado o dia.

Pegue suas chaves e seja feliz.

Até lá.

Feliz ano novo!

*João Henrique de Miranda Sá é escritor e redator autônomo
jhmirandasa1931@outlook.com
Skype: jhmirandasa1931
(67)8126-4663

Dia dos Professores 2015

Imagem: abril.com.br
Imagem: abril.com

Campo Grande, 15 de outubro de 2015

Se há profissionais que merecem homenagens, esses são os professores.

Fosse pouca a missão original dessas pessoas que, muito mais que mera categoria profissional, são seres humanos que se distinguem dos outros pelo propósito de vida, pela missão escolhida, e hoje em dia, inclusive pelo heroísmo.

Quanto mais violentas se tornam as pessoas, mais omissas as instituições, mais admiro os professores.

À medida em que a inversão de valores penetra em todos os cantos de nossa sociedade, as instituições (Estado e escolas) que poderiam trabalhar efetiva e eficazmente contra este movimento nefasto de emburrecimento das massas, não o fazem, os professores que permanecem em sala convertem-se em heróis da resistência, verdadeiros Quixotes.

Quero dizer a todos os professores que os admiro simplesmente pela atividade a que se propuseram.

Meus parabéns, respeito e gratidão.

João Henrique de Miranda Sá

Memórias de Um Menino Que Pedalava

Meu pai conta, pra todo mundo, história interessante.

Conta-nos ele, impressionado até hoje, que quando eu tinha uns seis anos, portanto 1975 ou 1976, certa vez ao voltar do trabalho pela rua 7 de setembro, deparou-se comigo pedalando distante de casa umas três quadras. Preocupado, mandou que eu fosse imediatamente para casa e disse alguma coisa do tipo: “Filho, não vá tão longe de casa, fique mais perto.” Nossa casa era a de numeral 1885 (entre Franklin Roosevelt e Rua Bahia), para seu desespero saí-me com essa: “Está certo pai! De agora em diante só irei até o Mercadão”.

Meu velho quase caiu para trás!! O referido Mercadão fica distante uns dois quilômetros da casa onde morávamos, ou seja: uns 1.500 metros pra frente de onde ele me encontrara. Até hoje essa história ressoa.

Comecei pedalar muito precocemente, não sei precisar a idade, contei a história da minha primeira volta de bicicleta em outro texto.

Agora passamos a uma fase mais adiante no tempo, nessa época eu já fazia expedições, saía da minha casa na 7 de Setembro, ia pela rua até o Mercadão. A rua é uma reta, não tem erro, o Mercadão é um ponto de referência muito bom, aí eu pegava o trilho, num dia numa direção, noutro dia, na outra.

Ia distraído ouvindo o barulhinho que as pedrinhas faziam sob os pneus. Aquele som me hipnotizava. Cruzava com gente de todo tipo, trabalhadores que também seguiam em suas bicicletas, nas duas direções, gente com cara boa, gente com caras que era melhor esquecer.

Eu ia olhando o pneu girando sobre as pedrinhas e esquecia de tudo. Esquecia de casa, do tempo, com o caminho de volta não havia motivo para preocupação: havia o trilho que me levaria de volta não importasse o quanto eu andasse. Bastava fazer meia-volta, pedalar e chegar no Mercadão.

De lá pra casa era uma reta, era minha estratégia para não me perder, moleque danado hein!
Andei muitos quilômetros assim, com muito poucos anos de vida.

Ê vida…

Outro caminho que eu fazia de vez em quando era o das trilhas, seguinte: eu saía de casa na 7 de Setembro, subia para o Jardim dos Estados, seguia para a esquina das avenidas Mato Grosso com Avenida Ceará (na época chamado Mini-Anel).

Dali, onde hoje há um McDonalds, partiam numa diagonal, trilhas. Várias delas, que atravessavam toda aquela região do Giocondo Orsi, partiam ali da esquina da Mato Grosso com a Ceará.

Eram muitas trilhas, elas se misturavam, se encontravam numa só e em seguida se separavam em várias direções no vasto campo. Era fácil se perder ali, aliás, no meu caso era comum.

Mas era só virar a bicicleta no sentido contrário que eu por fim, chegava na esquina da Avenida Mato Grosso com a Ceará (Mini-Anel). Eu nem apavorava mais.

São as memórias de um menino que pedalava.

Abração meu a todos.

João Henrique de Miranda Sá é escritor e redator autônomo
Portfólio: http://www.facebook.com/jhmirandasa1931
jhmirandasa1931@outlook.com
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A Primeira Vez Que Andei de Bicicleta

Eu me lembro da primeira vez que andei de bicicleta.

É, talvez, uma das minhas primeiras memorias, uma de minhas lembranças mais antigas.

Era muito novo, não sei precisar a idade, mas era realmente pequenino.

Nasci em 1970, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul – Brasil. Desde então vivi na casa de número 1885 da Rua 7 de Setembro. Esta história deve ter acontecido pouquíssimos anos depois disso.

Eu brincava, como de costume, na rua com a criançada vizinha. Me lembro como hoje daquela cena: eu estava no alto da Rua Franklin Roosevelt, quase esquina com a 15 de Novembro. Poucos metros abaixo da esquina… surpresa! Estava ali, diante de mim, abandonada, a bicicleta do Maurito.

Era um vizinho que morava logo ali em frente. A bike em questão era uma Monareta, bem pequena, roxa metálica, aquele tamanho de bicicleta típico de crianças miudinhas.

A magrelinha estava ali deitada no chão como que a espera do seu dono, que aparentemente deixou-a por uns instantes para fazer algo por perto para logo retornar.

Hipnotizado com a possibilidade de dar uma voltinha naquele brinquedo, não resisti a tentação. Num impulso, peguei a
bicicleta que repousava deitada sobre solo e dela tomei posse.

Subi no banco mordendo os lábios e com o coração na boca. A bike não tinha rodinhas. A rua em questão é uma ladeira
íngreme. O trajeto se resumiria a um quarteirão. Cem metros morro abaixo, e a rua acabava em uns morros de entulho que me aguardavam na altura da rua 7 de Setembro. Dei o impulso, consegui me equilibrar sem problemas. Logo pegamos velocidade. Nunca vou me esquecer do vento no meu rosto, no meu cabelo, quando a velocidade me assustou, tentei frear, em vão: o manete do freio era duro demais para um garoto do meu tamanho, acredito que para qualquer criança…

A velocidade aumentava sem cessar, aí é que foi ficando bom! Cada vez melhor! E melhor! O vento…nossa! Que vento! O fim da rua se aproximava e junto com ele os montes de entulho.

E foi lá que terminou minha primeira volta de bicicleta. O que não é de todo ruim pois, se não fossem os entulhos, onde é
que eu ia parar?

A Rua Franklin Roosevelt daquele ponto em diante era uma ribanceira muito mais íngreme ainda, e para piorar não tinha o asfalto.

Quero aproveitar a ocasião para me desculpar com o Maurito por pegar sua bicicleta sem pedir. E também, agradecer. Sim, agradecer. Pois se ele soubesse a importância que a bicicleta conquistou na minha vida, saberia que não existem palavras no nosso vocabulário que sejam capazes de expressar a gratidão por este momento aqui descrito.

Valeu Maurito!

 

João Henrique de Miranda Sá é escritor e redator autônomo
Portfólio: http://www.facebook.com/jhmirandasa1931
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Sonhos

Os sonhos traduzem estado de espírito, desejos, anseios.
Os sonhos são a memória do passeio da alma
Do encontro com os iguais…
E com os com mentores
No céu infinito

Dão.

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O Sonho
(Madredeus)

Quem contar
Um sonho que sonhou
Não conta tudo o que encontrou
Contar um sonho é proibido

Eu sonhei
Um sonho com amor
E uma janela e uma flor
Uma fonte de água e o meu amigo
E não havia mais nada…
Só nós, a luz, e mais nada…
Ali morou o amor

(amor),

Amor que trago em segredo
Num sonho que não vou contar
E cada dia é mais sentido

Amor,
Eu tenho amor bem escondido
Num sonho que não sei contar
E guardarei sempre comigo