Mês: janeiro 2016

O Canalha

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Sobre a declaração do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciando a própria santidade:

Psicopatia não é doença. Nunca foi. No máximo,  condição patológica. Trata-se de um traço da personalidade, de um desvio do caráter, que fique bem claro.

Gente assim pode trazer potencial destrutivo bem variável, que resulta da combinação de incontáveis variáveis, como por exemplo: a função que o “coiso” desempenha na sociedade; se ele atua em organização privada ou pública; o poder de influência do cargo sobre os subordinados e o de sua caneta para a sociedade (bingo!); da natureza do indivíduo; de seus anseios e ambição..  e mais um sem-fim de elementos indicam o risco que cada um deles representa à sociedade.

Cartas à mesa:

“Uma coisa que me orgulho é que não tem nesse País uma viva alma mais honesta do que eu” (sic).

A declaração em foco é de Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista concedida aos 20 dias de janeiro de 2016. Ok.

O psicopata, grosso modo e genericamente falando, é incapaz de exercitar empatia, sequer alcança sentido e significado do conceito de “escrúpulo”, age com extrema frieza, lança mão de sua capacidade de manipular as pessoas que é baseada em grande sensibilidade que lhe permite antecipar reações alheias. O fato de que cada indivíduo é um universo distinto, o que faz da análise desses sujeitos matéria que nunca se esgotará e sempre causará espanto, por um motivo ou outro.

A distinção entre um canalha e um doente é necessária pois uma pessoa que padece de patologia qualquer, sofre de um mal do homem, do ser humano. Já o canalha é a materialização de uma chaga da humanidade, ele é o mal. Nada que boa forja (fogo e porrada) não possa auxiliar na reversão – nem que seja longo de muitas existências.

Não carece ser uma Hilda Morana (autoridade máxima na lida e estudo da psicopatia) da vida pra sacar esses tipinhos.

Vai daí que até um leigo, feito eu, lança mão do direito de expressão pra analisar fria e públicamente o comportamento de uma figura que deveria conseguir o mínimo respeito, quando não suscitar a caridade alheia que o privassem deste vexame. Não, nem isso o infeliz consegue.

Lula demonstra a todos nós que mesmo o psicopata mais frio, mais articulado e sem-vergonha (no estrito sentido da expressão), está sujeito a verem abaladas sua confiança e segurança. Como?

Elementos como a frieza e a desenvoltura com que o canalha se esquiva em qualquer das investidas que lhe põe as intenções à prova, são comprometidos de forma importante quando ele se vê diante da iminência de ser irremediavelmente desmascarado, mas ainda não é isso que o desconstrói, mas a possiblidade concreta de se ver punido.

Vejo a declaração de Lula como uma manifestação involuntária e incontrolável, verdadeiro ato falho, produzido pelo descontrole de quem jamais fora confrontado de forma incisiva.

O teor do que nos falou o ex-Presidente, nos diz e denota que se ele possuiu algum dia senso crítico (mesmo que deformado), hoje já não dispõe sequer de um “senso do ridículo”. Isto é, está o ex-Presidente agonizando desesperadamente de privação de juízo pressionado pelas circunstâncias.

O monstrinho mentiroso convulsiona deliciosamente diante de todos.

E quer saber?

Eu acho é pouco.

Eu quero é mais!

Bom dia.

João Henrique de Miranda Sá é escritor e redator autônomo e está inscrito sob CPF de nº 763.102.131-72
jhmirandasa1931@outlook.com
(67)8126-4663

Quando o Público Alimenta o Privado e As Gentes Padecem

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Em Campo Grande não se pode ser doido e pobre.

Pode, mas tá lascado!

Ou é doido rico, ou é doido desassistido.

O sucateamento e desmonte dos serviços ambulatoriais, hospital-dia e leitos públicos, destinados a pacientes portadores de doenças e transtornos mentais pressupõe que essa seja terra da gente lúcida?

É claro que não.

Sabemos que não é o caso.

Essa aberração é fruto da ambição e do mais absoluto descaso com mal-estar daqueles que não tem como arcar com o custo de seus tratamentos. Tratamentos, leitos e assistência que são direitos previstos na Constituição Federal, que hoje mais se assemelha a um livro de contos e brechas que à uma Carta Magna de fato.

O que pega em Campo Grande é que quem determina o que vai funcionar, de que maneira e onde, vê com muito descaso todo aquele serviço que não gera lucro. Instituições de assistência de saúde, os nosocômios são geridos por administradores de carreira, que desconhecem ou não reconhecem questões e contextos de cunho humanitário, o que é óbvio, já que diante deles há sempre uma cenoura que representa a meta de faturamento, crescimento e lucro! Lucro! E mais lucro…

Quando se fala em assistência médica pública, é imprescindível incluir os que não podem pagar por ela. É deles esse serviço.

Tá tudo errado!

Tornou-se comum, apesar de absolutamente vil, imoral e vergonhoso, o desmonte e sucateamento da estrutura de assistência médica pública com o único objetivo de transforma-las em emissoras de encaminhamentos às instituições privadas. Essas terceirizadas, “prestam o desserviço” à comunidade. Verdadeiro contrassenso.

Essa estratégia relega ao ser humano, ao cidadão comum e pobre a condição de “números de prontuários”. Ao solicitar tratamento médico, convertem-se em “dados”. Se houvesse algum escrúpulo por parte dos responsáveis por essa dinâmica, haveria o reconhecimento de que são esses “dados” que viabilizam toda sorte de recursos, e seriam dispensados aos “dados” ou aos “prontuários” tratamento pautado em um mínimo de gratidão, já que não podemos contar com caridade, sentido de civismo, humanidade.. não, nem isso.

Os poucos serviços médicos especializados em saúde mental, estão praticamente extintos. Não por falta de demanda ou por serem conceitualmente ultrapassadas, nada disso, aqui voltamos a questão comercial.

O que essa gente se pergunta é: “Pra quê um serviço gratuito (confundem investimento com despesa) funcionado em um local onde podemos oferecer serviços dos nossos “conveniados” e “parceiros” da iniciativa privada, alcançando assim a cenoura (meta, lucro, projeção política, interesses individuais).

Tudo isso é preciso ser revisto.

Me dá vontade…

Dá vontade de fazer alguma coisa. Hoje, agora, o que posso fazer é isso. Lançar minha opinião com o desejo profundo de que, caso não haja disposição para discussão, debate e ação, ao menos calado eu não fiquei.

Nós, portadores de doenças e transtornos mentais, precisamos da ajuda de todos.

Pra refletir:

A síntese da definição de SAÚDE pela O.M.S – Organização Mundial de Saúde é:

“Estado de completo bem-estar físico, mental e social e não consistindo somente da ausência de uma doença ou enfermidade”

Boa noite,

*João Henrique de Miranda Sá é escritor e redator autônomo
jhmirandasa1931@outlook.com
(67)8126-4663

 

 

 

 

 

 

 

 

Flagelo Humano

Campo Grande, 13 de janeiro de 2016

Flagelo humano, a miséria é fruto dos vícios (defeitos) morais, desvios de personalidade e imperfeições do caráter.

Todos os males que nos afligem têm origem no orgulho e na vaidade, sem exceção alguma.

A palavra “miséria” nos remete a mais absoluta privação de tudo aquilo nos é essencial à sobrevivência: saúde, alimentos, trabalho, família, algum conforto e dose boa de desopilação. Mas essas são as carências de ordem física, necessidades superficiais, inclusive coisas bem relativas.

A miséria que assola e degrada, nada tem a ver com coisas, bens ou comida, família.. nada a ver.

O vazio abissal, conceitual e existencial é capaz de extrapolar os limites do suportável. É quando uma diversão ou passatempo se converte em cárcere; quando um adorno temporário traveste-se numa chaga crônica; quando a personalidade se dilui na ilusão, fruto da mais absoluta ignorância da própria razão de existir. É quando o sujeito perde o fio da meada e o contato com sua essência.

Temos agora, diante de nós, um miserável. Ao contrário do que se pensa, pode-se viver miseravelmente abastado de tudo o que o dinheiro compra. É…

Aprendi que a fortuna é prova muito mais inglória e infinitas vezes mais difícil de vencer, diferente de “suportar”, que prova da privação, que exige apenas resignação. Já a fortuna demanda do afortunado que ele destine com inteligência a compaixão, caridade e boa-fé, todos os recursos a ele confiados em empréstimo.

No afã de possuir, muitos de nós, deslumbrados e envaidecidos, vemos a fartura como “merecimento”, e não nos damos conta de que em verdade de quanto mais recursos dispomos, mais responsabilidade assumimos.

“Recursos” não se restringem à grana ou bens. Talentos são recursos de valor incalculável. É dilacerante ver gente querida deter todo tipo de recurso, em quantidade e qualidade, porém ainda desprovidos da percepção do que isso representa… pra sua existência.

Ao dar boa noite aos amigos, aos amores, peço a todos que à sua maneira, cada um de nós hoje, a partir de hoje, nos lembremos com carinho de todo aquele que hoje está privado do que há de mais essencial: do amor próprio.

Boa noite.

*João Henrique  de Miranda Sá é escritor e redator autônomo
jhmirandasa1931@outlook.com
(67)8126-4663

 

 

O Primeiro Job

Autoria desconhecida
Imagem autoria desconhecida

Éramos crianças.

Edson (China), Ênio (Padreco) e Álvaro (Alvinho) e eu, todos vizinhos.

Fomos ao Cine Plaza (melhor sala da cidade), na rodoviária de Campo Grande, assistir “Herbie – Se Meu Fusca Falasse” em um domingo qualquer. 

Antes do filme passamos no Parque Imperial, na Afonso Pena e gastamos o que tínhamos de grana no tromba-tromba, reservando apenas o suficiente pro ingresso do cinema.

Chegamos na rodoviária e tivemos uma surpresa: havia se instalado no terreno onde hoje funciona uma central de distribuição dos Correios, um circo bem xexelento, altos furos na lona, sujo, bem precário mesmo.

Mas passamos apressados pra não perder o horário do filme. Me lembro que o filme havia sido “empolgante” e saímos animados recordando eufóricos as cenas mais legais. Então de novo nos deparamos com o circo.

Não me lembro se havia muro no terreno, talvez um muro baixo de concreto, tão precário quanto o circo.

Curiosos, demos um jeito de colar na lona lateral, num lugar que não havia movimento de pessoas. Espiava eu por uma brecha na lona quando fui flagrado pela Mulher Barbada. Não posso negar que o plano consistia mesmo era numa invasão, mas dissemos que “só queríamos ver como era lá dentro”. 

Compadecida, a Mulher Barbada nos propôs trabalho (acho que foi meu primeiro job):  cada um de nós deveria oferecer ao público diferentes produtos, argumentou  a estranha mulher: “Além de assistirem ao espetáculo, ganharão comissão de 30% sobre o faturamento”, não demorou nem um segundo pra aceitar a proposta, e recebi de suas mãos o tabuleiro de puxa-puxa, que foi logo pendurado no pescoço dando início à minha jornada circense.

O drama é que eu tinha pavor de altura. Era do tipo chato de guri que subia na árvore, mas não sabia descer e dava um trabalhão pra ser resgatado… As arquibancadas eram feitas de tábuas sobre andaimes, andaimes instáveis e tábuas flexíveis, e seu balanço era pavoroso quando bem no meio delas.

As vendas iam bem-obrigado nos lugares baixos, mas as pessoas lá dos assentos mais altos começaram a chamar. Pensa num guri apavorado! As tábuas rangiam, o cliente perguntava preço, nem conta direito eu sabia fazer, só ouvia o rangido das malditas tábuas e sentia seu sobe-desce.

Minha sorte é que o tabuleiro não era muito grande e as vendas foram boas. Na segunda ou terceira vez que tive de sair do chão e escalar até os lugares mais altos, tracei uma estratégia de sobrevivência: A Mulher Barbada havia explicado quantas unidades representavam a percentagem da comissão, tipo: “Se vender dez, três são seus”. Aí ficou fácil.

Tratei de calcular quantas unidades do meu produto representavam a totalidade da minha comissão no caso de eu vender tudo. Aí abri mão do grana em nome da manutenção da sanidade e da segurança mesmo. Quando vendi o último puxa-puxa que pertencia ao circo fui lá pra cima, no assento mais alto e fechei a banca. Dei-me ao luxo de dali em diante só comer puxa-puxa e curtir o espetáculo! 

Me lembro de rir vendo Padreco, China e Alvinho passarem apuro nas tábuas bambas até o fim do espetáculo, ria e ria. Os meninos falavam; “Ow, você ainda não acabou, termina de vender pra ganhar sua grana!” Eu lá queria grana nada…

Na hora do acerto,  ao receber o apurado e ver que apesar de não haver sobrado nenhum puxa-puxa o equivalente à comissão já houvera sido “descontado”, a Mulher Barbada ficou intrigada. Tive de explicar minha escolha.

No fim, voltamos pra casa contando uns pros outros das frias, dos clientes chatos que chamavam lá em cima só pra especular, os erros de troco e das tábuas moles!

Foi uma aventura pra ficar pra sempre na memória. Pro China, pro Padreco e pra mim, acabara bem e lá no circo a história. Já pro Alvinho foi diferente, a notícia que rolou foi que a história foi mal recebida pela sua família. Rendeu-lhe reprimenda, castigo e a determinação de jamais voltar a andar com os moleques da rua novamente…

Ê, vidão…

*João Henrique de Miranda Sá é escritor e redator autônomo
J.H.Miranda-Sá - Estúdio 1931​
jhmirandasa1931@outlook.com
(67)8126-4663

Mentira Tem Pernas Curtas

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A IBM outra vez…

Histórias. A vida é um amontoado de histórias.

Então vou contar uma que ainda não contei, relacionada à uma IBM igualzinha a essa da imagem.

Essa era uma máquina elétrica. O suprassumo das máquinas de escrever àquela época. Quem teve contato com uma delas sabe do que a Maria Cristina Souza está falando acima. A resposta ao toque era rápida como um tiro. As teclas leves e não ofereciam nenhuma resistência, diferente demais das mecânicas, nas quais era necessário período dolorido de adaptação quando qualquer pessoa começava a datilografar com frequência e muitas laudas.

A IBM já permitia o erro, havia o recurso da fita branca (igual a um corretivo) que o datilógrafo utilizava pra apagar as cacas.

Eu entrava no gabinete  do meu velho – costumava dizer pros amigos que ali era “a casa de meu pai”, como fosse uma casa dentro da outra – um lugar cheio das coisas legais e boas de fuçar. Na sua ausência eu fazia a festa. Essa pobre IBM mais parecia uma metralhadora às vezes, noutras eu brincava de pianista, passando o dedo nas teclas de arrasto!! Porbrezinha…

Num belo dia, meu pai aproveitou que encontrou todos nós reunidos na sala e jogou a bomba paralisante: “Quem foi que mexeu na minha máquina de escrever?” Booommm!

Diante da estarrecedora pergunta as rótulas tremiam que parecia que iam abandonar os joelhos, calafrio, náuseas… e a tentativa inútil de manter uma cara de paisagem. Meus irmãos deram de ombro, “não fui eu”, “eu não” e um “num mexo lá”, e eu… sobrancelhas elevadas, voz fina.. “eu também num fui…”, imagino que sem convicção nenhuma.

Estava feito o clima de mistério e a sensação de estar á beira de uma abismo tomou a mim de assalto. Então o velho foi mais claro, doutrinou maomeno assim: “Quem tiver mexido na máquina assuma o que fez, será melhor assim, só preciso que se manifeste, não vai acontecer nada se assumir”… Aquilo deve ter durado de fato um minutinho, porém na memória do culpado, esses episódios parecem ter durado horas.

Não demorou pro velho mandar o ultimato: “Dão, foi você quem mexeu na máquina?” Ainda muito cru e covarde, insisti na negativa – talvez ali tenha aprendido a encarar a responsabilidade sobre meus atos, sejam eles quais forem. E diante da minha covardia, o velho acabou comigo sem dó: “Então me explique quem foi que escreveu diversas vezes João Henrique de Miranda Sá – João Henrique de Miranda Sá – João Hen… no papel que foi esquecido na máquina?” Boooooommm!!!

A casa caiu! Aquela frase caíra como uma bomba atômica. Ocorreu coisa naquele momento que se repete até hoje em momentos extremos: sinto-me sair de minha própria cabeça, dando meia-volta e olhando pra mim mesmo olho no olho, escancarando o sentimento que me toma, seja de pavor, medo ou vergonha. Ali eu me vi corado e sem graça, com aquela expressão típica do mentiroso pego no pulo.

Não me lembro se teve castigo, se tomei ou não umas lapadas, o fato é que nunca mais esqueci a lição. E daí em diante adquiri aos poucos tremenda capacidade de lidar, expor, assumir qualquer tipo de mau feito, vício, cagada.

Obrigado por mais essa, querido pai.

*João Henrique de Miranda Sá é escritor e redator autônomo

J.H.Miranda-Sá - Estúdio 1931
jhmirandasa1931@outlook.com
(67)8126-4663