Mês: janeiro 2017

Prega no Mapa

telefonista antiga
Imagem: http://fundacaotelefonica.org.br

“Prega no Mapa”

D. Julita, “mãinha”, conta que ao aportar em Campão (1965/1966) à cidade chegavam apenas umas 5 linhas telefônicas (segundo informa meu velho pai), numa central. Nas casas haviam ramais (suponho), então quando a pretensão era fazer interurbanos, havia necessidade de “pedir a ligação” à telefonista; tal operação podia demorar até 3 dias pra ser concluída.

A comunicação quotidiana com os velhos (em Recife) era realizada por cartas, nas quais encontrei menção ao desejo profundo de se “fazer uma prega no mapa”, visando encurtar a distância…

Aliás, sobre telefone, dessa época, contam histórias hilárias.

Ê, vidão…

Luz

JH Alvorada (4)

 

L U Z

Que a cada alvorada o dia se faça mais e mais… Luz
A cada dia minh’alma perceba-a mais… clara
Claros sejam os atos
Puros sejam anseios
E eu te receba… melhor

Que a vista se faça límpida
Mais e mais
Dia após dia
Pra eu te sentir
E sentir… Universo

Pra eu saber
Cada vez mais
Me saber
E saber que sei…
Nada!

 

João Henrique de Miranda Sá
Escritor, eterno aprendiz

A Importância de Saber Se Amar

Imagem: Pixabay
Imagem: Pixabay

 

Campo Grande, 12 de janeiro de 2016

 

A importância de saber se amar.

Vivemos período em que a humanidade toda convulsiona. O mal parece vencer de goleada, mas só parece. Ele é ruidoso e poderoso, choca multidões a cada movimento; já o bem, por essência, trabalha discreta, silenciosa e anonimamente.

Acredito que toda revolta e indignação, no que diz respeito às ações de nossos semelhantes – sejam eles bons ou “maus” – estão fundadas no desconhecimento, na incapacidade de perceber todo o contexto em que se está inserido, do que simplesmente nas ações equivocadas – mesmo que deliberadas.

Aquele que não está apto a perdoar o outro, demonstra que também é incapaz de se perdoar. Seria grave, fosse isso a causa, e não efeito do que realmente preocupa: a incapacidade de amar.

Também tenho fé que seja um equívoco falar em “amor incondicional”. Redunda, saca?

O autoperdão só é possível a partir do momento em que o indivíduo aprende a se amar. Para tanto, antes disso, teve a humildade de reconhecer, não só suas limitações, mas seus vícios (defeitos), desvios de caráter e sua vileza; bem como teve o privilégio de reconhecer – sem se envaidecer – sua vocação, talentos e função; ainda é capaz de se colocar a serviço da coletividade, sem nada, nada esperar em troca.

Não, não é fácil, mas é pra qualquer um, sim!

À medida em que vamos aprendendo a nos amar – amar “de mesmo” – percebemo-nos parte do contexto que compomos, nos afastamos das miudezas o suficiente pra reconhecer também, o que realmente importa nessa bagaça toda – que ganha contornos bem definidos…

A revolta se extingue, dá lugar à resignação (capacidade suportar, dignamente, aquilo que ainda não tem solução); a sensação de “o mundo está perdido”, por sua vez, dá lugar à alegria de encontrar, todos os dias, inúmeras oportunidades de servir; de alegra-se grandemente pelo simples fato de se conhecer sinceramente, e quanto mais se conhece, mais útil se torna, mais próximo ao amor – amor “de mesmo” – situa-se.

Que Deus continue a nos conceder todos os elementos necessários ao êxito na escalada que constitui o autoconhecimento.

João Henrique de Miranda Sá
Escritor e jornalista