Mês: abril 2017

Passado e Presente

Cortesia Celso Guenka 21-04-17 (4)

 

O passado é precioso.

Cada passo, ato e deliberação durante a jornada, me trouxeram de lá pra cá.

São os tijolos com que esse garoto que aí bebe, edificou este homem que aqui escreve.

Me orgulho de cada golaço que fiz, dos pênaltis que errei… das faltas marcadas, até das mais duras e vis… eu as cometi.

Eu, mais ninguém, respondo por cada uma delas, sim senhor.

Obrigado, Celso Guenka, pelos momentos compartilhados, que jaziam distantes.

Ora vivos de novo, eternamente.

O passado é passado.

O presente é meu maior presente.

Obrigado, Papai Noel – o sentido da vida.

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Campo Grande, 13 de abril de 2017.

Papai Noel do céu! Boa noite! 😀

Amado velhinho, “que não se esquece de ninguém”, que dia feliz o de hoje!

Chegou em tempo o pedido que lhe fiz, do jeitinho que eu queria… melhor até.

Hoje, no fim de um dia bom, cheio e duro, encerrando a segunda jornada, encostou aqui em frente um trenó conduzido por figura angelical – que não tem nada de Duende ou anão! – não havia renas mágicas, nem som de sinos. Só magia no ar, encanto de um sonho realizado…

Obrigado, Papai Noel.

Agora tenho a minha IBM! A máquina de escrever elétrica, tal e qual àquelas em que cresci vendo meu saudoso e amado avô Ruy e meu paizinho produzirem.

Tenho mais, muito mais, nem me lembrava do cheiro que saía daquelas máquinas… sim, a minha trouxe o mesmo cheiro de volta.

A primeira coisa que fiz foi chegar com o nariz perto dela, lá onde mora a esfera e o rolo de borracha que conduz e segura o papel… estava tudo la. Os gabinetes que foram e sempre serão meus templos de saber, oficinas de forja, lugares incríveis que trago em mim… pra sempre.

Obrigado a meu avô e meu pai, por tudo… tudo.. tudo.

Num presente, o sentido da vida.

Obrigado, Papai Noel… obrigado.

Dão.

Bem-vinda Criançada – Depois de Nós

 

Bem-vinda criançada, pois são os donos deste lugar.
Venham a nós os pequeninos, indicar o caminho certo.
Venham… venham…
Sejam meu Norte, minha sorte e consolo.

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Depois de Nós
De Carlos Maltz, por Engenheiros do Hawaii

 

Hoje os ventos do destino 
Começaram a soprar
Nosso tempo de menino
Foi ficando para trás
Com a força de um moinho
Que trabalha devagar
Vai buscar o teu caminho,
Nunca olha para trás

Hoje o tempo voa nas asas de um avião
Sobrevoa os campos da destruição
É um mensageiro das almas
Dos que virão ao mundo 
Depois de nós

Hoje o céu está pesado,
Vem chegando temporal
Nuvens negras do passado,
Delirante flor do mal
Cometemos o pecado de não saber perdoar
Sempre olhando para o mesmo lado
Feito estátuas de sal

Hoje o tempo escorre dos dedos das nossas mãos
Ele não devolve o tempo perdido em vão
É um mensageiro das almas
Dos que virão ao mundo
Depois de nós

Meninos na beira da estrada
Escrevem mensagens com lápis de luz
Serão mensageiros divinos
Com suas espadas douradas, azuis

Na Terra, no alto dos montes
Florestas do norte, cidades do sul
Meninos avistam ao longe
A estrela do menino Jesus

#terraarrasada
#enãomerela

A Coisificação do Outro – a experiência como agente de assimilação do conceito filosófico

Imagem: Pixabay
Imagem: Pixabay

Coisificação
(coi.si.fi.ca.ção)
sf.
1. Fil. Transformação dos seres humanos, suas propriedades, relações e ações, em seres semelhantes a coisas, que se comportam de acordo com as leis do universo das coisas; REIFICAÇÃO
[Pl.: -ções.]
[F.: coisificar + -ção]
Dicionário Caldas Aulete http://www.aulete.com.br/coisifica%C3%A7%C3%A3o

 

Trago em mim “esperança” como sinônimo de “fé”, que me permito definir “crença no improvável”. Eu sou um homem de fé.

A experiência sempre será agente eficaz do aprendizado. Graças a Deus.

A vida indica e comprova, invariável e constantemente, que em tudo há caracteres positivos; em todo evento há uma lição útil e em toda pessoa há uma virtude ao menos.

Este artigo é o testemunho de um cidadão comum, que amargou a experiência de presenciar pessoa amada, em momento de extrema agonia e sofrimento profundo – justificável e facilmente compreensível -, ser tratada com frieza cruel e indiferença chocante, por aquela instituição que deveria tratar-lhe, no mínimo, digna e respeitosamente, simplesmente pela natureza essencial do serviço a que se propôs a prestar: um hospital. Falar em “excelência” me parece utópico depois dos fatos que narrarei a seguir:

O contexto.

Uma mulher madura, capaz, produtiva e em plena atividade; mãe de duas crianças; nem melhor nem pior que ninguém, cumpridora de seus compromissos; realizada em diversos aspectos profissionais, vê-se diante da necessidade de inevitável intervenção cirúrgica, cujo objetivo é prevenir iminente fatalidade.

Apreensão diante de tal prognóstico, conduz o indivíduo, naturalmente, à reflexão focada na avaliação de sua caminhada, os riscos concretos que se lhe apresentam, nas possibilidades todas.

No caso em questão, tal reflexão conduziu-a inevitavelmente, a uma das mais duras realidades de um ser humano: a do futuro incerto. Pior, o temor de sair de cena vendo incompleta a tarefa divina que configura a condução da formação de sua prole, a forja daquela que é sua contribuição essencial à humanidade, seu legado, a sua semente, ainda em broto, na Terra dos homens.

Nas 72 horas que antecederam a realização do procedimento cirúrgico, dita reflexão foi causa do aumento gradativo de efeito nefasto: o medo.

Os fatos.

A mulher acima citada, compareceu no horário combinado para internação e posterior realização do procedimento médico necessário. Trazendo consigo toda carga de sentimento aludida na descrição do contexto.

O tratamento dispensado à paciente, caracterizou-se pela absoluta indiferença à condição de ser humano que padece de mal que lhe priva do bem-estar e lhe impõe medo, materializou-se de forma incontestável no proceder do profissional incumbido do cumprimento das formalidades burocráticas exigidas, provavelmente cumprindo à risca o protocolo que lhe foi ensinado. Explico.

Embora a internação em questão fosse de caráter eletivo – que pode ser agendada, sem urgência -, mesmo com a paciente presente, consciente, lúcida, disposta, o procedimento deu-se de forma idêntica àquele em que há urgência, e que o paciente está inconsciente e/ou incapacitado temporária ou permanentemente.

Enquanto de um lado havia usuária do plano de saúde em dia com sua obrigação contratual, de outro a instituição que lhe deve a contrapartida acertada no mesmo contrato a lançar mão de recursos legais (contratuais), incrementados por protocolo de atendimento (procedimentais), com finalidade evidente de esquivar-se dos riscos típicos do serviço presta, promover de forma inescrupulosa incremento dos lucros e redução de custos, arranjo que não me furto classificar, no mínimo, imoral.

Como pode? Não pode, mas fazem assim:

No desenrolar do trâmite burocrático, sentada diante do recepcionista, comigo de pé ao seu lado, atento e concentrado nas orientações, a paciente informa que serei eu seu acompanhante. Nesse momento, sob pretexto de “cadastrar os dados do acompanhante”, foi-me solicitada a apresentação de documento de identificação, prontamente atendida. Tudo bem até aqui.

Na sequência, sem explicação alguma, o recepcionista passa a se dirigir diretamente a mim (como se a paciente já não estivesse mais ali) e me entrega ficha simples pra que eu eleja um representante legal (“caso o senhor falte no momento da alta”, explicou o atendente). O detalhe curioso foi eu notar que ali, naquela ficha, já havia sido convertido em algo mais que mero acompanhante, mas em “responsável pela internação”. Desconfiado, mas temendo agravar a apreensão de minha companheira inflingindo-lhe constrangimento desnecessário, preferi não me precipitar. Estranhei mais ainda, quando foi-me solicitado que eu informasse minha profissão e natureza da minha relação com a paciente.

A natureza e os contornos do golpe – sob o filtro dos valores e princípios, trazidos de berço, em que pauto minha vida, trata-se de golpe ardiloso e desumano – já eram evidentes aos meus olhos, mas para que eu pudesse levantar a lebre, carecia de elemento concreto e incontestável, que não demorou nada pra chegar.

Para finalizar o trâmite burocrático, o recepcionista tira da impressora um documento e entrega diretamente a mim, com a seguinte recomendação: “Assina aí. Isso é só um papel que confirma que o plano cobrirá todas as despesas”. Assinei prontamente para agilizar o atendimento, visto que o suposto teor do documento havia sido sintetizado oralmente pelo atendente. Passei os olhos a fim de confirmar o que me fora dito. Não me surpreendeu que a natureza, bem como o teor do referido documento não estivesse em conformidade com a informação adiantada informalmente.

Aquilo que eu cria ser um cadastro dos dados de acompanhante, era, em verdade, “Contrato de Prestação de Serviços Médico-Hospitalares, fornecimento de Materiais e Medicamentos – Plano de Saúde”. Ao ler do que se tratava, estranhei que não tivesse sido tal documento entregue à contratante, presente ali, diante do recepcionista, consciente, lúcida e absolutamente desimpedida física e mentalmente. Prossegui a leitura e o conjunto de três cláusulas, grafadas em negrito, configuraram dolorosa pancada, dor e tristeza.

Sentimento que transcende em muito os limites daquele fato isolado, pois era um retrato nítido do estado embrutecido em que a sociedade se encontra neste momento. Sociedade essa que faço parte e componho…

Coagido e impressionado com o abuso, mais uma vez tentei, sem lograr êxito, evitar o constrangimento à minha companheira, que eu sabia abalada.

Com todas as letras, clareza e objetividade, perguntei ao recepcionista, se o protocolo de internação ali cumprido, ressaltando, com a devida gravidade, o caráter eletivo e a presença da paciente lúcida, desperta, disposta e desimpedida, não deveria ser diferente? Se à paciente não deveria, ao menos, ser dada ciência dos termos do contrato, e mais: se não seria ela a única pessoa competente à designação de avalista do contrato – mais que um aval, o contratante nas cláusulas citadas, na prática, não só assume todas as despesas decorrentes de produtos e serviços não cobertos pelo plano de saúde, mas prontifica-se a fazer o pagamento no ato da alta, e mais! Fica implícita a autorização prévia de tais materiais e serviços, bem como honorários médicos.

A resposta foi clara e objetiva (além de reveladora): “só entregamos esse documento ao paciente quando ele está só. Quando há um acompanhante, entregamos a ele, pra que ele mesmo assine”.

O constrangimento que eu evitara a todo custo até ali, diante dos fatos e de todos os presentes, foi inevitável: “Não posso assumir esse compromisso sob risco de não conseguir honrá-lo”. O estrago estava feito.

Havia várias pessoas testemunhando tudo de muito perto, um ou dois metros do guichê, havia aproximadamente uma dúzia de pessoas aguardando atendimento. Mas não é essa a questão crucial.

O que pesa, aos meus olhos, não é só a má fé revelada no procedimento padrão, no ritual protocolar a que nos submetemos, não é o golpe em si.  Mas o consequente dano psicológico imposto à paciente, já estava fragilizada de forma importante e severa, pela circunstância vivida. Desequilíbrio que pode impactar grandemente desde aspectos emocionais, acarretando desdobramentos fisiológicos, que por sua vez podem minar totalmente a resistência e restabelecimento do organismo, frente ao procedimento invasivo e agressivo a que será submetido.

Aos meus olhos, há dolo, infração ética e dissimulação. Há cinismo e irresponsabilidade.

Não sei tipificar o crime, sequer se há de fato um crime, tampouco enquadrar em artigo do código jurídico. Não é competência minha, não me cabe a tarefa. Mas também sei, que na condição de cidadão, se ser humano, que todo o procedimento, mesmo que seja legal, é imoral e vergonhoso. Não me furto o direito de manifestar tristeza.

Meu objetivo ao expor este evento não tem finalidade de denúncia, tampouco destina-se a expor ao ridículo os envolvidos no fato. O que pretendo, sinceramente, é que a reflexão acerca das ponderações trazidas à luz, pelas quais eu respondo, é promover debate que conduza à reformulação dos preceitos que balizam a capacitação do staf de atendimento ao público nas prestadoras de serviço de saúde, devolvendo ao serviço o caráter humanitário que perdeu-se pelo caminho.

Visão de mundo.

A fé que me alimenta e mantém de pé, indica e comprova que não, não é “sentindo no bolso” que se aprende. Mas é dor, a dor que ensina. É a perda daquilo que lhe é indispensável, o agente fundamental da assimilação do conhecimento, enquanto fruto da experiência.

A sabedoria, por sua vez, é a incorporação do conhecimento adquirido, na postura e na direção em que se delibera tudo na vida. É assim que se dá a cura de todo vício humano, creio eu. E esse discernimento é o combustível que mantém acesa e constante, a fé no homem, nas instituições, na minha gente.

Por todo o acima exposto, finalizo decretando:

Eu tenho fé de que a cada dia, apesar dos pesares, o mundo melhora.

Eu tenho fé.

A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.
(Fernando Birri – Argentino – Cineasta)

 

João Henrique de Miranda Sá é jornalista, gestor de cadeia de suprimentos, corretor de imóveis, um eterno aprendiz da teoria do amor e entusiasta da raça humana.