Mês: janeiro 2018

Uma Vida Que Vale a Pena Viver

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Hoje recebi uma visita cara, querida, cada vez mais rara.

Alexandre Ferro é um daqueles amigos-irmãos com quem vivi todo tipo de experiência, algumas hilárias, outras graves e profundas, amigos, descobrimo-nos irmãos.

Irmãos, desvendamos, cada qual na sua toada, em viveres já fisicamente distantes, e buscando a mesma luz, e nas vezes que nos encontramos, todo o tempo que há, sejam minutos, horas ou dias, não nos basta; falta ordem em tanta coisa a contar, falta ordem à tanto conteúdo. Só não falta alegria de celebrar pois… “Continuamos juntos”, lê-se nos olhos.

Conversas nas quais o tema é um rio, o caso o barco, palavras são remos, mas nós mergulhamos, fundo.., fundo. Numa flutuação de partilha, apneia de gente grande, dentro de si, trazendo pérolas, que oferecemos um ao outro.

Obrigado, meu Deus, por mais esse privilégio.

Numa vida intensa e rica, vive-se vidas diversas, o gato, com a sete dele, não sabe é de nada…

Alê me trouxe hoje, um fragmento do passado, tirado do túnel do tempo.

No ano 2000, ele e Paulinho, seu irmão, escreveram junto um livro que se propunha a atualizar os motoristas veteranos com as novas leis, e preparar os inscritos no exame teórico do DETRAN à aquisição da CNH.

Já era a 4ª, o novo código entrara em vigor em 1998.

“Trânsito Fácil”, uma cartilha que traduzia e linguagem coloquial e ilustrada, o novo código de trânsito.

Foi elaborada por Paulinho e Alexandre, que pesquisaram e traduziram o conteúdo, digitado, ilustrado e tabulado por Alê.

Paulinho era o comandante da velha máquina offset Multilith tamanho ¼, que os americanos descartaram depois de mais de 40 anos de labuta em solo norte americano, em solo paraguaio, como sucata, e que os hermanos paraguaios tiraram o que inda dava para tirar de impressões… Paulinho comprou a comprou no Paraguai, montou em casa, e rodávamos serviços gráficos ali, sabe Deus em (e nós!) que condições…

O livro era distribuído por nós, de bike, nas bancas de revista da cidade (3 exemplares por banca), eu tinha disposição, uma bike, e todo o tempo do mundo, mapeei todas as bancas da região central e adjacências, e fiz a distribuição em cada uma delas, Paulinho também distribuía.

A vida era bem dura e às vezes que faltava o trocado do lanche (‘saladão’ e uma ‘tuba’, na padoca da rua Paissandú), um de nós era encarregado de “rodar banca” para pegar uns trocos, repor os livros, e voltar à padoca. Às vezes dava até para o Paulinho virar os olhos deliciando-se com um pedação generoso de pudim, sem doce predileto…

A vida, sem ralo, deve ser bem sem graça!

Ê, vidão…