Categoria: Crônicas

Chuva – Mariza

Chuva
(Mariza)

As coisas vulgares que há na vida

Não deixam saudade

Só as lembranças que doem

Ou fazem sorrir

 

Há gente que fica na história

Da história da gente

E outras de quem nem o nome

Lembramos ouvir

 

São emoções que dão vida

À saudade que trago

Aquelas que tive contigo

E acabei por perder

 

Há dias que marcam a alma

E a vida da gente

E aquele em que tu me deixaste

Não posso esquecer

 

A chuva molhava-me o rosto

Gelado e cansado

As ruas que a cidade tinha

Já eu percorrera

 

Ai… meu choro de moça perdida

Gritava à cidade

Que o fogo do amor sob a chuva

Há instantes morrera

 

A chuva ouviu e calou

Meu segredo à cidade

E eis que ela bate no vidro

Trazendo a saudade

Temporal – Tiago Bettencourt

 

TEMPORAL

(Tiago Bettencourt)

 

Enquanto muito se inventa

Apontando para disparar

Enquanto muito se imita

Carregando para arrancar

Porque só sabe quem tenta

Porque só arde o que vem de ti

Porque só cede quem cega

Porque não finge quem é de si

E quando o teu sonho arder no temporal

Tenta-te descobrir

Tenta-te perceber

Guarda para lá do mar o que tentámos ser

Sei que há gente que nega

Sei que há gente sem direção

Sei que há gente que ferra quando despe imitação

Mas é de ferro esta seta e há verdade noutro lugar

É eterno o poeta

E acredita quem navegar

E quando o teu sonho arder no temporal

Tenta-te descobrir

Tenta-te perceber

Guarda para lá do mar o que tentámos ser

Quando não se confia e quando o mundo nos cerca

Quando o olhar se desvia

Quando o deserto nos cerca

Canta o que te ergue

Que mãos dormentes não vão saber

Canta por quem te segue

Canta para quem te vê crescer

E quando o teu sonho arder no temporal

Tenta-te descobrir

Tenta-te perceber

Guarda para lá do mar o que tentámos ser

 

Árvore Ideal

10262186_620383971401992_1992763455713986561_n

 

Árvore Ideal

 
O limiar da lucidez havia ficado pra trás
 
Havia tempo, havia sorte
 
Havia uma construção em curso
 
Fogo e porrada
 
A forja
 
Fogo demasiado quente
 
Miolo demasiado mole
 
Homem em brasa, marreta pesada
 
Calor e malho
 
Como num oásis, planta uma árvore no branco árido da tela
 
Frondosa copa, de cores diversas na mesma pincelada
 
Gesto suave e manso com o pincel
 
Os dedos texturam frenéticos
 
Acabara de aportar no estaleiro
 
Pra recompor a paz, salvar a vida
 
Alcançar “serenidade” almejada
 
Ali, na ponta do pincel
 
Havia todas as cores que perdera
 
Havia a calma
 
Suspiro aliviado
 
Idealizada sombra de outrora
 
Ora deitado sob ela
 
Farfalhares alegres
 
Brisa no rosto
 
Ora serenidade é fato
 
Da semente ideal
 
Gesto e ato
 
Eu posso, eu faço, eu vou
 
Serenidade agora
 
Sou eu
 
 
J.H.Miranda-Sá
#enãomerela
#oburrovelho
#opotedágua
#estúdio1931

Obrigado, Papai Noel – o sentido da vida.

WhatsApp Image 2017-04-13 at 18.23.07

Campo Grande, 13 de abril de 2017.

Papai Noel do céu! Boa noite! 😀

Amado velhinho, “que não se esquece de ninguém”, que dia feliz o de hoje!

Chegou em tempo o pedido que lhe fiz, do jeitinho que eu queria… melhor até.

Hoje, no fim de um dia bom, cheio e duro, encerrando a segunda jornada, encostou aqui em frente um trenó conduzido por figura angelical – que não tem nada de Duende ou anão! – não havia renas mágicas, nem som de sinos. Só magia no ar, encanto de um sonho realizado…

Obrigado, Papai Noel.

Agora tenho a minha IBM! A máquina de escrever elétrica, tal e qual àquelas em que cresci vendo meu saudoso e amado avô Ruy e meu paizinho produzirem.

Tenho mais, muito mais, nem me lembrava do cheiro que saía daquelas máquinas… sim, a minha trouxe o mesmo cheiro de volta.

A primeira coisa que fiz foi chegar com o nariz perto dela, lá onde mora a esfera e o rolo de borracha que conduz e segura o papel… estava tudo la. Os gabinetes que foram e sempre serão meus templos de saber, oficinas de forja, lugares incríveis que trago em mim… pra sempre.

Obrigado a meu avô e meu pai, por tudo… tudo.. tudo.

Num presente, o sentido da vida.

Obrigado, Papai Noel… obrigado.

Dão.

Prega no Mapa

telefonista antiga
Imagem: http://fundacaotelefonica.org.br

“Prega no Mapa”

D. Julita, “mãinha”, conta que ao aportar em Campão (1965/1966) à cidade chegavam apenas umas 5 linhas telefônicas (segundo informa meu velho pai), numa central. Nas casas haviam ramais (suponho), então quando a pretensão era fazer interurbanos, havia necessidade de “pedir a ligação” à telefonista; tal operação podia demorar até 3 dias pra ser concluída.

A comunicação quotidiana com os velhos (em Recife) era realizada por cartas, nas quais encontrei menção ao desejo profundo de se “fazer uma prega no mapa”, visando encurtar a distância…

Aliás, sobre telefone, dessa época, contam histórias hilárias.

Ê, vidão…