Categoria: Crônicas

Obrigado, Papai Noel – o sentido da vida.

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Campo Grande, 13 de abril de 2017.

Papai Noel do céu! Boa noite! 😀

Amado velhinho, “que não se esquece de ninguém”, que dia feliz o de hoje!

Chegou em tempo o pedido que lhe fiz, do jeitinho que eu queria… melhor até.

Hoje, no fim de um dia bom, cheio e duro, encerrando a segunda jornada, encostou aqui em frente um trenó conduzido por figura angelical – que não tem nada de Duende ou anão! – não havia renas mágicas, nem som de sinos. Só magia no ar, encanto de um sonho realizado…

Obrigado, Papai Noel.

Agora tenho a minha IBM! A máquina de escrever elétrica, tal e qual àquelas em que cresci vendo meu saudoso e amado avô Ruy e meu paizinho produzirem.

Tenho mais, muito mais, nem me lembrava do cheiro que saía daquelas máquinas… sim, a minha trouxe o mesmo cheiro de volta.

A primeira coisa que fiz foi chegar com o nariz perto dela, lá onde mora a esfera e o rolo de borracha que conduz e segura o papel… estava tudo la. Os gabinetes que foram e sempre serão meus templos de saber, oficinas de forja, lugares incríveis que trago em mim… pra sempre.

Obrigado a meu avô e meu pai, por tudo… tudo.. tudo.

Num presente, o sentido da vida.

Obrigado, Papai Noel… obrigado.

Dão.

Prega no Mapa

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Imagem: http://fundacaotelefonica.org.br

“Prega no Mapa”

D. Julita, “mãinha”, conta que ao aportar em Campão (1965/1966) à cidade chegavam apenas umas 5 linhas telefônicas (segundo informa meu velho pai), numa central. Nas casas haviam ramais (suponho), então quando a pretensão era fazer interurbanos, havia necessidade de “pedir a ligação” à telefonista; tal operação podia demorar até 3 dias pra ser concluída.

A comunicação quotidiana com os velhos (em Recife) era realizada por cartas, nas quais encontrei menção ao desejo profundo de se “fazer uma prega no mapa”, visando encurtar a distância…

Aliás, sobre telefone, dessa época, contam histórias hilárias.

Ê, vidão…

A Forja – 31 de dezembro de 2016

Imagem: Pixabay
Imagem: Pixabay
Campo Grande, 31 de dezembro de 2016
 

A forja.

Hoje, quem viver viverá o último dia de um ciclo anual classificado por muitos como “terrível”.

Muitos de nós teme que os fatos que os assustaram e desanimaram continuem a suceder, continuarão.

Trata-se processo de reorganização que se agigantou diante dos olhos de todos, influenciando diretamente o cotidiano de todas as pessoas, sem exceção, que é gradual e irreversível. Graças a Deus.

O fato é que há séculos vivemos sob o manto da hipocrisia, em que instituições são regidas pela “Lei de Gerson”, que por sua vez norteia seus gestores, muitos deles, nossos representantes públicos, aos quais pelo voto outorgamos-lhes a posse das “canetas poderosas”, das quais desvirtuam o uso para benefício próprio.

Talvez sejamos injustos com um período marcado pela convulsão que caracteriza e antecede o colapso, depois do qual tudo será diferente.

Trata-se de um processo, um processo natural em que não há “brechas”, muito menos se queimam ou eternizam etapas.

Se estamos vivos, aqui e agora, é porque temos capacidade de lidar com as adversidades e inconvenientes frutos dessa crise que só inicia, dessa turbulência que antecede o temporal, deste desconforto que só está começando.

Consciente disso tudo, exercito a fé mirando a bonança vindoura.

É bem provável que muitos de nós, ou mesmo todos nós, não tenhamos tempo suficiente de gozar essa paz prometida; mas a conduta de cada um diante da tormenta será decisiva aos destinos de cada indivíduo.

Talvez estejamos nós a cumprir, aqui e agora, a mais importante semeadura de nossa existência, enquanto espíritos, enquanto inteligência ativa no Universo… talvez seja este momento semelhante àquela prova decisiva num curso qualquer… talvez.

Ao contrário do que muitos pensam, não somos penalizados por sermos nós os escolhidos a estar aqui e agora, ao contrário. Houve uma seleção criteriosa que determinou isso. E dois critérios essenciais são: o da capacidade (aptidão), e o do merecimento.

Tenho pra mim, nítido como o ar, de que os que vencerem as adversidades que já se apresentam, promovendo a manutenção da lucidez e da dignidade, estarão conquistando lugar num tempo almejado há séculos, inconscientemente, por todos nós.

Somos privilegiados.

Que doravante exercitemos todos a substituição definitiva e irrevogável do sombrio e covarde “eu acho”, que segrega e aparta; pelo honesto, sincero e esclarecedor “me explique”, que aglutina… que une.

Que em todos os lares, silêncio que enclausura e enlouquece, seja substituído pelo diálogo franco e aberto, que liberta.

Que a paz esteja sempre no coração de todos.

Que Jesus continue presente e ao alcance de todos.

Que assim seja.

Um amigo

Galera Pró

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“Um compêndio de psicologia e psiquiatria”, essa é a resposta que obtenho de minha psicóloga, Alexandra, quando movido pela inútil necessidade de rotular meu ser, questiono-a acerca da criança que fui, qual era meu diagnóstico.

E ela está absolutamente correta ao me dar uma resposta, sem ser técnica, afinal, de que serviria pra mim saber mais do que ela já disse? Ela me demonstrou, ao longo do tratamento, que os rótulos pouco importam quando o assunto é autoconhecimento. Mesmo porque, quando se investe nesse processo, aceleramos a dinâmica do desenvolvimento, e muito traço se transforma, muito mito cai, muito mal se cura…

Na Campo Grande dos anos 70, em pleno século XX, crianças como eu, não encontravam aqui escola capacitada para alfabetizá-las. Mas como “como eu”? Fui uma criança agitada, com sérios problemas de coordenação motora, déficit de atenção e hiperatividade, vai vendo.

O Colégio Dom Bosco sempre foi referência de bom ensino, disponível pra poucos devido ao alto custo das mensalidades. Filho de família abastada, pude tentar estudar ali… tentar.

Aos seis ou sete anos, no que se chamava Pré-primário, eu dava muito trabalho aos padres, professores e devia ser um inferno pros colegas. Aproveito a ocasião pra dizer a todos que só posso lamentar o transtorno e dizer que valeu a pena, obrigado a todos pela paciência.

Menino infernal, fazia só o que queria, não parava quieto. Pedia pra mãe pra levar a bicicleta pra aula (…) e ai dela se ela não colocasse a bendita bike no porta-malas da Veraneio, e a deixasse comigo na escola. Pra quê… me lembro como hoje: minha sala era a primeira sala que há no primeiro corredor à esquerda de quem entra pelo portão principal do colégio. Em frente à essa sala, ficam as quadras poliesportivas. Havia rente à grade um bicicletário, ali eu deixava minha Monareta. E ficava a olhar pra ela enquanto as atividades transcorriam normalmente na sala.

Meu mundo era só meu. Não havia autoridades ou regras, havia meu desejo e interesse; havia curiosidade e criatividade surpreendentes; havia muitas feridas, devido ao fato de ser desajeitado, eu me machucava muito – logo, havia vergonha e baixa autoestima, pois sempre tinha um infeliz pra dizer “lá vem o zé pereba” … hoje chamam bullyng.

Conta minha mãe que, se ela se atrasasse um pouquinho, já não me encontrava mais na escola. É, saíamos todos e ficávamos ali na calçada à espera dos pais, se os meus não chegassem, eu pegava o rumo de casa! Seis anos!! Ia do Colégio Dom Bosco, na Avenida Mato Grosso entre as ruas 13 de Maio e 14 de Julho, até a rua Sete de Setembro, na altura da rua Bahia, onde eu morava (moro até hoje.

Minha velha já conhecia meus caminhos. Ela, com meus irmão no carro, saía a minha procura e ia encontrando abandonados pelo caminho, primeiro a mochila, depois a camisa, mais à frente as botinhas Ortopé… e lá adiante encontrava a criança livre que pude ser.

Obrigado, Senhor, pela liberdade de que fui dotado. Obrigado, meus pais, por permitir que eu a exercesse.

Belo dia, na saída da escola, minha mãe deu falta de mim, antes de iniciar a busca pelas ruas, checou dentro da escola, naturalmente. Quando ela chega perto da minha sala, havia um padre possesso, a praticamente a me erguer pela orelha e a fazer uma tentativa de exorcismo, ali, no pátio da escola bradando “Este menino é um demônio!!! É um demônio!!”, e minha velha se identificou. Ouviu do padre, sutilmente, que eu estava ‘convidado’ a me retirar da escola, sutilmente…

A essa altura, 1977, não havia mais alternativa a recorrer que desse cabo de minha alfabetização em Campo Grande. Após criterioso estudo e pesquisa, meus pais souberam de uma profissional que tinha sucesso em casos semelhantes ao meu… em Recife.

Lá fui eu desterrado na casa de meus avós maternos pra viver os anos de minha vida que classifico “mágicos” e fundamentais na construção do homem que ora escreve. Na direção que dou à minha vida, às minhas resoluções, ao meu gosto pela arte, música e pelo belo.

Em Recife eu tinha uma rotina puxada. Como minha casa era fora da cidade, na região serrana de Aldeia, eu saía cedo com o motorista e o restante das pessoas que “desceriam à cidade”, pra cumprir minha rotina de natação, psicóloga, escola, escola de artes… etc. Nas janelas que havia no meu itinerário, eu fazia companhia ao motorista da vez nos afazeres dele. Sempre passava no escritório do meu avô Ruy, um lugar, um ambiente à parte, atmosfera única.

Passei dois anos, aproximadamente em Recife. Já estava totalmente ambientado até que num telefonema, a falar com D. Julita, minha mãe, ela contava dos preparativos para as férias; dizia que meus irmãos e mais alguns amigos fizeram um carrinho de rolimã todo especial pra mim, só pra eu brincar nas férias… como quem joga um balde de água gelada na pessoa, me saí com essa: “Ah, mãe. Não vou dessa vez. Minha casa é aqui. Vocês venham me visitar, não quero ir…”, silêncio abissal do outro lado da linha por alguns segundos interrompido pela frase seca: “Filho, chame sua avó, por favor”. Vó Laís mal terminou de dizer “Alô..” e já ouviu o decreto seco: “Coloque meu filho no avião de volta pra casa amanhã!”.

Ali ela colocou ponto final naquela que foi a fase mais rica de minha vida, a que vivi com os seus, os nossos, que pude ter meus, seus pais, perto de mim meus tios, gente gente. Saudades.

Voltei a Recife diversas vezes na juventude, principalmente pra brincar carnaval em Olinda…

Numa noite, num bar, aconteceu coisa curiosa, e que justifica eu contar tudo o que foi descrito acima. Estávamos numa grande mesa, num bar badalado, chique, e havia gente da cidade, turistas e eu, que não era nem uma coisa nem outra. No afã de se conhecer, se localizar e encontrar antigos colegas, todos diziam onde tinham estudado, trabalhado, de que família eram… aquelas coisas.

Dado momento eu digo que já morara na infância e estudara na cidade. Uma moça quis saber onde eu estudara, inocentemente eu lhe disse: “Estudei na Escola Parque de Boa Viagem”, gargalhada geral!! Muita gozação, risos e mais risos.

Sem entender direito o porquê de tanta risada, pedi que me explicassem qual era o motivo da graça. Então alguém me disse: “Liga não, Dão. Todo mundo mexe com a moçada que estuda lá. Diz-se que lá estuda a ‘galera pró’.”… Insisti, por quê “pró”? E a moça esclareceu: “Galera ‘pró’blemática, Dão!”, mais risos, muitos risos.

Numa ocasião pude entrar numa comunidade do Orkut de ex-alunos da dita escola, pensei que fosse dar de cara com uma fauna estranha, que nada! Só criativos! Fotógrafos, publicitários, muitos músicos, escritores… E eu me senti em casa… E eu me orgulho da minha Escola Parque de Boa Viagem.

Eu me orgulho de ser mais um da “galera pró”.

Memórias do Menino Que Pedalava – o lançamento da obra

 

Capa A4

 

A essência de um homem novo na seleção de 72 de aproximadamente 200 trabalhos publicados entre 2013 e 2015. Alma, crenças, valores e convicções impressos de dezenas de formas distintas, em temas muitos, uteis a muitos de nós. Este é o conteúdo do meu primeiro livro.

Desde 2011, setembro de 2011, fui tomado por “impulsos escrevedoiros”, como me habituei a classificar o impulso de compartilhar, por meio da escrita, meu pensar, experiências, visão de mundo e toda sorte de sentimentos.

A vida de cada um de nós se assemelha a um grande mosaico. Dedicamos tempo e energia à construção de cada uma das peças. O tempo é o amálgama que proporciona a liga que une cada período ou fase; cada tempo vivido, amor desfrutado; experiências, boas ou não.

Dessa necessidade surgiu o blog www.oburrovelho.com.br , que é o meu grande pergaminho. Ali eu guardo em caixa aberta todas as catarses, malcriações, reflexões, pensamentos e declarações de amor e afeto.

Entre 2013 e 2015, fluiu produção consistente, volumosa e significativa. Foram ao ar mais de 200 (duzentos) textos, dentre coisas boas e outras nem tanto.

Reorganizando minhas pastas, no ano passado (2015) me dei conta de quão significativos e úteis podem ser aqueles trabalhos pra tanta gente. A ideia inicial era restringir a produção inicial em uma tiragem de volumes físicos. A crise descapitalizou a todos, a mim, inclusive.

Optei então pela publicação do e-book. Isso se deu no dia do aniversário de Campo Grande, minha cidade natal, 26 de agosto de 2016, no site Amazon, www.amazon.com.br , onde é possível ler gratuitamente todo o conteúdo, ou baixar pagando o preço de capa. Segue abaixo o link para que se possa fazê-lo:

http://amz.onl/aWu6J4V

Na quinta-feira, 15 de setembro, das 20h às 22h, a obra será lançada no Clube do Litoral Central, evento que acontece, no Jack Pub, na rua 15 de novembro 2090.

Após o lançamento do livro, o Clube do Litoral Central segue sua programação normal, com o show de Paulo Simões cantando Bob Dylan, Guga Borba, Jerry Espíndola, Ju Souc.

É noite de festa e você está convidado!