Categoria: Instigamentos

Árvore Ideal

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Árvore Ideal

 
O limiar da lucidez havia ficado pra trás
 
Havia tempo, havia sorte
 
Havia uma construção em curso
 
Fogo e porrada
 
A forja
 
Fogo demasiado quente
 
Miolo demasiado mole
 
Homem em brasa, marreta pesada
 
Calor e malho
 
Como num oásis, planta uma árvore no branco árido da tela
 
Frondosa copa, de cores diversas na mesma pincelada
 
Gesto suave e manso com o pincel
 
Os dedos texturam frenéticos
 
Acabara de aportar no estaleiro
 
Pra recompor a paz, salvar a vida
 
Alcançar “serenidade” almejada
 
Ali, na ponta do pincel
 
Havia todas as cores que perdera
 
Havia a calma
 
Suspiro aliviado
 
Idealizada sombra de outrora
 
Ora deitado sob ela
 
Farfalhares alegres
 
Brisa no rosto
 
Ora serenidade é fato
 
Da semente ideal
 
Gesto e ato
 
Eu posso, eu faço, eu vou
 
Serenidade agora
 
Sou eu
 
 
J.H.Miranda-Sá
#enãomerela
#oburrovelho
#opotedágua
#estúdio1931

Vida Fluida Desalma no Amar

Vida minha

Vem como riacho

No leito do tempo

Fio d’água miúdo de outrora

Recebe em si

O volume alheio

Dos afluentes amores

Que se unem num só

Vida que se faz rio

Que percorre gargantas estreitas

Mergulha em quedas incríveis

Renasce mansa, no rebojo do poço

Lá adiante

A cada curva que faz

O leito se modifica

A vida é fluída

Sem vocação pra represa ou açude

Sem merecer canalização

A vida é fluída e ensina

Quem busca o oceano

Unidade que somos

A vida é fluída

Me deixo levar

Não ação confiante

Inércia distante

Satisfação

Bicicleta – 200 anos fazendo história

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Imagem: Mário Freitas

Uma história de amor à Terra

A invenção da bicicleta faz 200 anos!

Quando mais vivo, estudo e conheço o mundo, as máquinas e as tecnologias, e principalmente as pessoas, tanto mais me convenço de que a bicicleta é uma das mais relevantes criações humanas.

Quanto mais caminhamos em desalinho com a Natureza, na contramão da evolução real, mais importante se torna a bicicleta para o planeta e pras gerações vindouras.

Essa é minha opinião, desde sempre.

Quanto mais o tempo passa, quanto mais caótico cenário que produzimos, tantas outras pessoas dar-se-ão conta disso, graças a Deus.

Tal compreensão promove a integração do homem e seus objetivos, além de proporcionar um meio divertido e saudável de chegarmos em qualquer lugar, sem agressão à mãe Terra.

E viva a bicicleta!

E parabéns a quem reconhece sua importância!

Este artigo abre uma série dedicada à análise da possibilidade da adoção da bicicleta como meio de transporte cotidiano, suas vantagens e desvantagens, dicas e sugestões aos iniciantes e veteranos.

Você pode colaborar com a iniciativa sugerindo pautas, indicando subsídios e conteúdo útil à sua produção.

Escreva para: joaohenrique.mirandasa@gmail.com

Vamos pedalar!

 

 

12 de Outubro – uma ode à hipocrisia

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Imagem: autor desconhecido

 

O estabelecimento de ‘datas comemorativas’, sabemos, é estratégia – válida e bem-sucedida – de impulsionar as vendas em nichos específicos do mercado.

Pegando carona na beleza publicitária pintada na mídia, chamo-vos à reflexão, chamo-vos à realidade nua, crua e despida, não só das ruas, mas dos lares, pobres e ricos; das escolas, particulares ou públicas.
 
Convido-os à reflexão baseada no grito silencioso de “Três Vivas às Crianças”:
 
Um viva àquelas crianças que padecem da ‘instrução’ (ir)responsável, de pais que não aprenderam as lições essenciais que deveriam ora transmitir…
 
Viva!
 
Um viva àquelas crianças que jazem como zumbis nas ruas, fruto dum Estado criminoso, omisso, vil e canalha de alto a baixo…
 
Viva!
 
Viva àquelas crianças todas, da rua e de casa, expostas à droga que negamos e condenamos, enquanto consumimos em sua presença; à cultura do “iniciando os trabalhos” em que os alcoólatras atribuem ao seu inimigo condição de aliado e valor de beleza, pela absoluta incompetência na lida com seus vícios…
 
Viva!
 
Viva a hipocrisia na qual sustentamos nossa sociedade doente.
 
Viva!
 
Viva…
 
Vivam com essa.
 
Feliz dia das Crianças.

Vem Por Aqui – sobre coisas e coisas

“Vem por aqui”

Atribuir caracteres malditos à arte, sugerir que deva ser censurada, por conta de atitude irresponsável de uma mãe, num evento isolado, na condução da educação de um de seus filhos, me parece um tanto desproporcional.

Cogitar censurar a arte com base numa comoção histérica, infundada, equivocada e preconceituosa, me parece a manifestação do caos… mais uma.

Ver que muitos dos meus amigos embarcaram em mais essa onda de ignorância, caracterizada pelo evidente efeito manada, isso sim entristece, mas jamais me desanimará.

O investimento no autoconhecimento é fundamental pra que se opere, em cada indivíduo, imunidade à “ofensa” e à “decepção”.

Nada nem ninguém tem o poder de ofender aquele que se conhece um pouquinho. Ninguém decepciona essa pessoa, pois ela não idealiza tampouco espera algo de alguém.

Esse ‘caboco’ que se enfrenta com tanto mais coragem quão mais vil se reconheçe, é virtuoso. Tão imperfeito quanto os outros, mas caminha, “de vagar e sem pausas”.

Meu maior medo é ser manipulado por meus algozes, os mais próximos são os vícios do meu caráter, a inobservância dos princípios e valores que trago comigo, transferidos desde a minha criação.
 
Eles são reforçados e ampliados à medida em que amadureço o indivíduo que sou, momento em que eu, e só eu, sou responsável pelo que creio, trabalho, e na direção em que delibero tudo na vida.

“Não, não vou por aí.”

João Henrique de Miranda Sá

Poeta, escritor, escultor, ator, pintor, fotógrafo, idealizador e realizador de elementos arquitetônicos inusitados, objeto e fruto da arte, mais um daqueles que amam e fazem arte, assim como fazem… amor.