Dia dos Pais 2016

Ao meu pai, Luiz-Salvador Miranda-Sá

 

Hoje, Dia dos Pais, muitos de nós homenageiam “heróis”, outros classificam “ídolos” e muita gente sequer alcança um tratamento adequado para falar de seus pais.

Cada um de nós tem uma relação particular com seu velho. Lá em casa somos quatro filhos, tenho certeza que diante de cada um dos meus irmãos, existe uma figura distinta atribuída ao mesmo homem; ao mesmo cidadão, o nosso patriarca.

Não sei como meus irmãos veem meu velho, mas eu, euzinho, tenho no meu pai a figura mais humana que conheço, pois conheço muito bem. Admiro? É claro. Sinto orgulho dele? Sem dúvidas, é um cidadão de bem; um bom homem. Só isso? Ah… não, não mesmo!

A terapia auxilia o paciente alcançar o autoconhecimento com maior rapidez e menos frustração. Faço terapia há dez anos e posso afirmar que esse processo (autoconhecimento) funciona como se uma pedra fosse jogada no meio de um lado. As marolas que partem do centro para atingir as bordas são o raio de conhecimento pleno que parte do sujeito uno, e passa a abrir esta visão para o meio e todos que nele estão.

A marola do meu autoconhecimento já se abriu o suficiente pra que eu tenha completado o processo de desidealização de todos que fazem parte do meu núcleo familiar. Meu velho, inclusive.

Esse processo tira de nós o “herói” e o “ídolo”, pra desnudar diante de nós, pisando o mesmo chão, pelado e só como todos somos, o homem que nos deu a vida. Falho, cheio de defeitos, com todas as suas verdadeiras virtudes, e um mistério que se percebe nos olhos que classifico amor paternal. Esse tipo de sentimento é incondicional de mesmo.

Não sei pras outras pessoas, pros meus irmãos, mas pra mim, hoje, Dia dos Pais, é o dia do melhor amigo. Um cara que aprendi a chamar de “cara”, por que vejo nele um brother, O brother!

Hoje, vejo coisas no meu amigo pai, que são inexplicáveis, e talvez eu seja um folgado, ou “over” como diz Alexandra, minha psicóloga, mas eu prefiro um grande amigo a um herói ou um oráculo. Eu corro pra te ouvir, claro, mas você me ensinou a decidir.

Quero dizer a você, cara, que eu te amo demais do jeitinho que você é. Até os seus piores defeitos eu acho legais… também, trago em mim quase todos, é claro, numa proporção mais “civilizada”, pois a função do suceder de gerações é o refinamento. Kkkk

Meu velho, onde quer que eu vá, você será bem representado.

Eu te amo.

Obrigado por tudo.

Dão