Pensamento Olímpico – o porquê de as gentes serem assim

 

O fundamento básico do esporte, é a expansão contínua da capacidade humana por meio da superação de suas próprias limitações.

Tudo bem?

Quem concorda com esse preceito, pode, ou não, concordar com a opinião de que atividades físicas de combate direto – como as lutas, em que um ser humano deve, para ser exitoso, minar um semelhante, dentro das condições aceitas de comum acordo – não merecem classificação de “esporte”, no máximo, ‘combate’. Eu concordo.

Concordo porque penso que um homem nunca é exitoso quando ataca outro. Não há vitória onde há agressão; numa luta, tal e qual numa guerra, não há vencedores: há mortos, sobreviventes.

A entrega completa, a resposta extremamente apaixonada e emotiva do cidadão brasileiro às vitórias, às medalhas conquistadas nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, escancaram, ao observador atento, o outro lado da moeda. Sim, todas elas têm “cara” e “coroa”.

Se por um lado, cara, ficamos felizes com nossos heróis esportistas por “nossas” conquistas; coroa, vivemos a crise moral mais grave já vista desde o genocídio dos povos locais à chegada do colonizador.

Passados cinco séculos, vivemos o ápice da falência moral, exercitamos a corrupção como requinte, bebemos do chorume político que nós mesmos excretamos.

Executivo, Legislativo e Judiciário, que deveriam ser as cúpulas blindadas, o abrigo sagrado dos preceitos éticos retos; a raiz e a semente da árvore da democracia – farta de liberdade, de igualdade e de fraternidade – tomados pela praga da ganância, sede de poder a qualquer custo. Governados por uma corja de saqueadores, uma quadrilha institucionalizada e consequente impunidade, tiram qualquer esperança de reação digna no campo político, econômico e financeiro.

Eu gostaria de ter orgulho emocionado do senador em quem votei, de ter orgulho, e poder chamar de ‘meu’, o vereador que defendesse meus interesses… eu gostaria.

Já tivemos um Ayrton Senna, contamos com um punhado de heróis nos campos de futebol; de quatro em quatro anos algumas medalhas de ouro nas Olimpíadas. Mas nenhuma medalha de ouro sobrepõem-se a vergonha e a impotência que sinto por fazer parte de um povo desmoralizado, carente e cego. Nós brasileiros somos isso tudo, ainda somos carentes o suficiente para ter orgulho, chorar de alegria, com medalhas compráveis, derrotas vendáveis.

Esses somos nós, lembra?“EU, sou rasileirôô, com muito orgulhôô, com muito amôôr!”

Troco todas as medalhas, todos os títulos, ainda boto no rolo todas as vitórias, todas as corridas que pude ver de Senna, por Educação pra eternidade e Justiça de mesmo.

Tenho fé de que esse dia está cada dia mais próximo, tenho fé.

João Henrique de Miranda Sá é escritor e redator